terça-feira, 29 de setembro de 2009

FIZEMOS ALGO ERRADO


Sou um admirador dos grandes oradores. Aqueles que escolhem as palavras como Davi escolheu os seixos para colocar no alforje antes de enfrentar Golias. Havia três discursos que eu admirava: o de Lincoln no sepultamento de milhares de soldados depois da batalha de Gettysburg; o discurso de Sir Winston Churchill diante da Câmara dos Comuns na Segunda Guerra Mundial e o discurso de Martin Luther King no Lincoln Memorial. Agora, incluo nessa preciosa galeria o discurso do Presidente da Costa Rica, Oscar Arias, proferido na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago no dia18 de abril de 2009. Ei-lo:

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.


Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.
Há também uma diferença muito grande.

Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.


Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante.


Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.


Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.

Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças em mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.


No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados. *Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.

Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o senhor aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas. Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta. P

arece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou.
Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso, que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos, não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX que é o *pragmatismo*.

Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha:
"Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos". E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso".

E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.


A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer. Muchas gracias."

Se trocarmos os nomes dos países e os fatos citados pela realidade que nos cerca, muitas vezes chegaremos à mesma conclusão: nosso fracasso não depende tanto do que os outros fazem mas do que nós não fazemos. Creio ser esta uma lição preciosa diante de nosso cotidiano, nosso trabalho, nossas relações pessoais e nossa relação com Deus. Ninguém precisa esperar 74 anos para começar uma mudança em sua vida...

domingo, 26 de julho de 2009

SUAVE CAMINHO


No domingo 19 de julho de 2009, oficiei o casamento religioso dos jovens Demóstenes Coutinho Gomes e Cláudia Dias de Souza. Membros da Igreja Adventista do 7º Dia do bairro Santa Mônica, em Uberlândia. O local foi o Salão de Festas Inácios, situado à Av. José Paes de Almeida, 631, no bairro Jardim Finotti.

Pela primeira vez iniciei com o voto matrimonial (diferente do voto tradicional em seu conteúdo e horário). Para finalizar a cerimônia li para os noivos este belo poema de Mário Pederneiras, Suave Caminho.

SUAVE CAMINHO

Assim... ambos assim, no mesmo passo,
Iremos percorrendo a mesma estrada;
Tu - no meu braço trêmulo amparada,
Eu - amparado no teu lindo braço.

Ligados neste arrimo, embora escasso,
Venceremos as urzes da jornada...
E tu - te sentirás menos cansada,
E eu - menos sentirei o meu cansaço.
E assim, ligados pelos bens supremos,
Que para mim o teu caminho trouxe,
Placidamente pela vida iremos,

Calcando mágoas, afastando espinhos,
Como se a escarpa desta vida fosse
O mais suave de todos os caminhos.

Mário Pederneiras no livro "Ao léo do sonho e à mercê da vida"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

NOSSA DÍVIDA COMUM

“Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei” (Romanos 13.8).

Dívidas. Não há como fugir delas. Mesmo para aqueles que gostam de pagar suas contas a vista e abominam os crediários ou cartões de crédito não conseguem viver sem contrair pequenas dívidas (energia elétrica, telefone, aluguel são exemplos de compromissos para serem saldados futuramente).

Nossa principal dívida, entretanto, é aquela relacionada ao amor que devemos ter uns para com os outros. E amar verdadeiramente não é tarefa fácil. Amar dói, porque o amor é o exercício contínuo de dar-se, de abrir mão de coisas, de tempo, do orgulho próprio e até mesmo do direito à indignação pelo fato de ter sido ferido, humilhado ou desprezado. Amar quase sempre está relacionado com pagar a dívida por alguém, mesmo quando se é o credor desta pessoa.

O Evangelho aponta para um amor mais surpreendente do que o impulso de amar o amável, o belo, o educado ou amar aquele que nos ama. Isto é tão fácil, é tão natural, que Jesus disse não ser isto uma virtude “porque os pecadores também o fazem” (Lucas 6:32,33). Muitos cristãos não passam neste teste pelo simples fato de acreditarem que é apropriado amar aqueles que nos amam, aqueles que falam e fazem coisas que aprovamos. Para o blogueiro Marcos Arrais “ao olharmos para o nosso próximo, devemos compreender que, independente de quem quer que seja, somos devedores a essa pessoa. O amor é a “moeda” espiritual que devemos utilizar em nossas relações inter-pessoais. Somente ele suprirá todas as carências e necessidades da alma humana”.

Baseado nesta visão positiva do amor José Mallorqui afirmou que: ”Quando o amor enche o coração, não deixa nele lugar para mais nada. Nem para o ódio, nem para o rancor, nem para o orgulho”.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O ÚLTIMO SERMÃO

Uma verdade inquestionável é que boa parte das pessoas não valorizam o que têm até perdê-lo. Muitas vezes me pergunto por que nossas igrejas estão vazias na maior parte dos cultos, exceto aos sábados ou programas especiais e mesmo assim com boa parte dos membros chegando atrasados para o início do culto.

Temos uma verdade cristalina a ser anunciada ao mundo: Breve Jesus voltará e precisamos nos preparar e preparar outras pessoas para o maior acontecimento de nossa vida. Por que não lotamos a igrejas em todos os cultos? Talvez porque temos liberdade para cultuar... Liberdade demais! Ao olharmos para a história da igreja cristã percebemos que o período no qual ela mais cresceu proporcionalmente foi quando a igreja primitiva era perseguida e rejeitada. Quanto mais se proibia o culto ao Senhor, mais e mais as pessoas queriam se unir à igreja infante.

Na idade média houve perseguição e inquisição de várias formas. Na Inglaterra, o parlamento promulgou uma lei chamada de Ato de Uniformidade no qual exigia que os cultos deveriam ser moldados à adoração litúrgica da religião oficial, orientada pela Igreja Anglicana. Diante disso, dois mil ministros puritanos do evangelho foram proibidos de pregarem em público.
No domingo anterior ao dia 24 de agosto de 1662, quando a lei entraria em vigor, aqueles cristãos puritanos ouviram os últimos sermões pregados dos púlpitos que ficariam silentes em poucos dias. E certamente foram sermões poderosos e tocantes. Um destes pregadores puritanos, Thomas Watson, apresentou 20 conselhos aos comovidos irmãos de sua pequena congregação. De forma resumida e em linguagem atualizada a mensagem foi a seguinte:

Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para cada um de vocês, para as quais desejo a mais especial atenção:

1) Em primeiro lugar, observe as suas horas constantes de oração a Deus, diariamente.
O homem piedoso é homem “separado” (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicie o dia com Deus, visite-O pela manhã, antes de fazer qualquer outra coisa. Leia as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as suas manchas e um lavatório onde você pode lavá-las. Adentre ao céu diariamente, em oração.
2) Colecione bons livros em casa.
Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual você poderá refrigerar-se. Quando você descobrir um arrepio de frio em sua alma, leia esses livros, onde você poderá ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.
3) Tenha cuidado com as más companhias.
Evite qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que “se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras” (Sl 106.35). As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!
4) Cuidado com o que você ouve.
Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, aconselhou-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Seja como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). É importante para os crentes ter um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo.
5) Seja sincero.
Seja o que você parece ser. Não seja como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhe para o céu, com sua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com suas práticas. Não finja ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que você ama o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade. Que o seu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6).
6) Nunca se esqueça da prática do auto-exame.
Estabeleça um tribunal em sua própria alma. Tenha receio tanto de uma santidade mascarada quanto de ir para um céu pintado. Você se julga bom porque outros pensam que você o é? Permita que a Palavra seja um ímã com o qual você provará o seu coração. Deixe que a Palavra seja um espelho, diante do qual você poderá julgar a aparência de sua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. “De noite indago o meu íntimo”, disse o salmista (Sl 77.6).
7) Mantenha vigilância quanto à sua vida espiritual.
O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fique de olho nele, observe o seu coração continuamente, pois é um traidor em seu próprio peito. Todos os dias você deve montar guarda e vigiar. Se você dormir, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.
8 ) O povo de Deus deve reunir-se com freqüência.
As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros” (Ml 3.16). Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade: Medram melhor na piedade quando crescem juntos.
9) Que o seu coração seja elevado acima do mundo.
“Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.
10) Console-se com as promessas de Deus.
As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe que vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição.
11) Não seja ocioso, mas trabalhe para ganhar o seu sustento.
Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”, também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade. Paulo observou: “Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts 3.11-12).
12) Ajunte a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo.
O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século… justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade. Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.
13) Em seu andar perante os outros, una a inocência à prudência.
“Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza. Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem.
14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos.
Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.
15) Fuja da idolatria.
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-se dos ídolos e tenha cuidado com as superstições.
16) Não despreze a piedade por estar sendo ela perseguida.
Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.
17) Não dê valor ao pecado por estar atualmente na moda.
Não julgue o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11).
18.) Com respeito à vida cristã, sirva a Deus com todas as suas forças.
Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).
19) Faça aos outros todo o bem que puder, enquanto você tiver vida.
Lute para ser útil à vida de seus semelhantes e para suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem. Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.
20) Medite todos os dias sobre a eternidade.
Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas - haveremos de embarcar através do oceano da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna. A cada dia, passe algum tempo refletindo a respeito da eternidade. Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade. Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória. Considerem o que eu lhes tenho dito, e o Senhor lhes dará entendimento acerca de tudo. (Thomas Watson).

QUÃO ATUAIS NOS PARECEM TAIS CONSELHOS!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A MEMÓRIA DO CORAÇÃO

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”. Filipenses 4:8

Você já se lembrou de algo bem remoto porque alguma coisa, pessoa ou fato lhe trouxe à lembrança algo que aparentemente você já havia se esquecido?

O cérebro humano é uma maravilha da criação de Deus, pois reúne diversas funções de lógica e raciocínio entre as quais está a capacidade de armazenamento de dados, de forma inconsciente e consciente. No inconsciente está registrado um volume enorme de informações das quais não nos damos conta, embora os especialistas digam que tudo o que vemos, ouvimos ou sentimos de outro modo, está armazenado em algum lugar aparentemente inacessível ao consciente - que é o lugar onde estão nossas lembranças, recentes ou remotas.

Como não pode armazenar todas as lembranças de forma clara e acessível imediatamente, a memória consciente seleciona os dados mais importantes para registro permanente, numa espécie de triagem. Assim, quanto mais significativos os acontecimentos para nós, tanto mais detalhadamente deles nos lembramos, mas, o que dizer da MEMÓRIA DO CORAÇÃO?

Se o coração não “pensa”, como pode ter memória? Embora as percepções de cunho emocional também sejam funções cerebrais, nós as creditamos ao coração; talvez porque o pulsar do coração seja um símbolo da vida.
De acordo com Antístenes “A gratidão é a memória do coração”. Por este motivo é importante nos concentramos nas boas coisas e no lado positivo das pessoas, porque isto comporá nossas lembranças para sempre. Talvez seja por isso que o apóstolo Paulo nos ensina ao escrever para os Tessalonicenses sua primeira carta: “Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. Sábio conselho!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

12 CONSELHOS PARA CASAIS


No domingo (12.05.2009) oficiei o casamento de Marcos e Grazielle Sella. Entre outras considerações apresentei-lhes estes 12 conselhos para casais (compilados do livro Nem Contigo Nem Sem Ti, de José Gameiro).
1. Não invadir o espaço do outro.
2. Aceitar o passado de cada um.
3. Nunca dizer tudo ao outro.
4. Encontrar tempo para estar sem os filhos, em casa ou na rua.
5. Respeitar a família de cada um.
6. Saber surpreender o outro.
7. Não se isolar, estar com os amigos.
8. Rir muito.
9. Passear muito.
10. Dar presentes sem ser nas datas oficiais.
11. Aprender a aceitar as diferenças.
12. Não confundir o todo com as partes.


Desejamos ao casal a felicidade que só aqueles que crem em Deus e Lhe obedecem podem desfrutar.

sábado, 28 de março de 2009

UMA QUESTÃO DE HONRA


"Há pessoas que observam as regras de honra como se vêem as estrelas: de longe."
Victor Hugo – escritor e poeta francês.

Estava pesquisando na internet quando me deparei com um artigo cujo tema era “Recepcionista para Área de Saúde: Desenvolvendo Competências”.

Mesmo não sendo profissional da saúde (exceto quando se trata de saúde espiritual) me interessei pelo tema, pois, de certa forma, as igrejas também têm clientes: os membros que a ela pertencem!

O artigo mencionava, entre outras coisas, os tipos de clientes a serem atendidos por uma recepcionista. Chamou-me a atenção um deles: o cliente abusado, que era descrito no referido artigo como “aquele que chega e vai chamando a atendente de “meu bem”, “meu amor”, joga piadinhas e faz de tudo para chamar atenção sobre si.”

Não pude deixar de fazer uma relação entre esse tipo de cliente e alguns irmãos em Cristo, nossos “clientes”. Imediatamente me veio à mente tratamentos antagônicos recebidos pelos servos de Deus, no ministério pastoral. Digo antagônicos porque, a maioria dos irmãos trata com extremo respeito o seu líder espiritual. Tais irmãos, ainda que possuam cabelos brancos, demonstram um sagrado respeito àqueles que o Senhor chamou: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e inteligência.” Jeremias 3:15.

Ao falarem com o pastor, eles usam de um tratamento respeitoso, incluindo o pronome “senhor” como forma de deixar claro que mais do que a idade do Ministro (que em muitos casos é menor do que a deles) o respeito se deve à função exercida por estes servos de Deus. Alguns usam o pronome você, mas quando chamam os servos de Deus ou a eles se referem, o fazem pelo respeitoso título de “Pastor”. Por outro lado, há aqueles que fazem questão de chamarem o pastor pelo nome, demonstrando uma intimidade que nem é proveitosa nem respeitadora.

Há muitos pastores cuja capacidade e brilhantismo os levou a acumular títulos que são respeitados secularmente, como por exemplo, mestre, doutor, professor, presidente, etc. Todos importantes, mas, nenhum deles sobrepuja o único título de que se orgulha um verdadeiro Ministro de Deus: o de Pastor. Porque pastor não é um título, é uma função sagrada!

É triste ver pessoas que por absoluto desconhecimento disto ou por falta de respeito às autoridades constituídas, teimam em confundir as coisas e insistem em chamar os servos de Deus pelo nome quando não têm deles procuração para tal. A poucos se dá o direito de chamarem pelo nome no exercício de sua função e dentro de sua área de atuação. É curioso ouvir os porteiros dos prédios, os mecânicos ou outros não-membros de igrejas tratarem os servos de Deus da forma mais respeitosa e com um título de pastor, quando, em contrapartida, vêem-se membros de igrejas que tratam o seu pastor com descaso de sua função sagrada.

Li algures que, o comportamento de nivelar as pessoas a si, de tratá-las com uma intimidade descabida e desaprovada, é uma tentativa de certas pessoas – descartadas aquelas absolutamente ingênuas – de se auto-afirmarem porque tais pessoas têm uma auto-estima extremamente baixa. Acreditamos nesta definição porque a experiência nos tem mostrado que a maior parte destes chamados “sem-cerimônia” - são pessoas até certo ponto desajustadas ou insatisfeitas consigo mesmas e com o mundo.

Como afirmou o historiador italiano Césare Cantù “a autoridade é necessária para tutelar a liberdade de cada um contra a invasão de todos, e a liberdade de todos contra os atentados de cada um”.