terça-feira, 8 de julho de 2014

E O GIGANTE TOMBOU!

                                                                 Imagem: www.globo.com

Nós, brasileiros que apreciamos a seleção brasileira de futebol, desejávamos há muito tempo a realização de uma Copa do Mundo no Brasil para que tivéssemos a oportunidade de apagar as lembranças da dramática final de 1950 contra o Uruguai no Maracanã. E tivemos a oportunidade... Certamente nos esqueceremos do fiasco de 1950 da pior maneira possível. Eram sete passos, sete degraus, como diziam alguns, para ser campeão. Ao invés de vencermos os sete passos, levamos uma goleada de 7x1.

Durante os primeiros minutos de jogo, a ausência de Neymar Jr. parecia ser compensada pela garra dos jogadores brasileiros, mas, de repente, de forma inacreditável, diante dos olhos do mundo inteiro, a seleção canarinho, respeitada em todos os continentes, fica irreconhecível e toma uma goleada da seleção alemã.

Tenho certeza de que muitos jornais venderão o dobro, especialmente na Alemanha e que isso será assunto por muito tempo no mundo dos esportes. Haverá revoltas, quebra-quebra, gente chorando, gente faltando ao trabalho, maridos e mulheres brigando por coisa sem sentido, etc.

Durante os meses que antecederam a realização desta fatídica Copa do Mundo, percebeu-se um comportamento festivo só visto por ocasião do natal.  Lojas enfeitadas com o verde-amarelo característico, carros com bandeiras no capô e no retrovisor ou ainda preso nos vidros das portas traseiras... A euforia tomava conta de tudo e de todos (ou quase todos). Se uma Copa do Mundo fosse ganha com a euforia dos torcedores, então o Brasil teria conquistado a sua sexta estrela... Mas, o gigante tombou!

A pergunta que me fiz desde o princípio é: se e quando o Brasil fosse derrotado, como reagiria o povo brasileiro? Continuaríamos a agitar nossa bandeira? Teríamos ainda orgulho das cores verde e amarela? Continuaríamos a ser brasileiros com muito orgulho e com muito amor? Será? Infelizmente sempre tive minhas dúvidas com respeito a isto...

Fomos acostumados a pensar que ser campeões do mundo no futebol amenizaria nossa situação nada confortável no ranking de mazelas e problemas sociais. Uma ilusão “panis et circenses” nos alimentava e nos adormecia. O bordão no mundo do jornalismo político em recentes acontecimentos era “o gigante acordou”... Agora a frase será: o gigante tombou!
O que mais precisamos neste momento não é nos fixarmos na sexta estrela não conquistada, mas, nas cinco que já ostentamos na camisa amarela de nossa seleção de futebol.

Piores perdas nós temos todos os dias: vidas ceifadas em estradas mal conservadas, assassinatos, latrocínios, impostos abusivos, políticos e governantes inescrupulosos... A lista seria maior do que todas as estrelas que pudéssemos alcançar se tivéssemos ganhado todas as copas do mundo que disputássemos.

Então, o que podemos esperar do povo brasileiro, de mim e de você, amigo leitor? Que nos lembremos de que o Brasil é muito mais do que uma estrela a mais no peito. Temos 27 estrelas estampadas em nossa bandeira, representando 27 estados com os quais devemos nos preocupar.

Eu espero que as derrotas nas coisas deste mundo não nos façam esquecer que nossa verdadeira vitória não é sobre coisas passageiras, mas sobre coisas eternas. O apóstolo Paulo tão sabiamente colocou em palavras inspiradas o sentimento daqueles que vendo a constante busca pela vitória nos círculos humanos, espera, contudo, a vitória que não privilegia uns em detrimento de outros. Na corrida pela vida eterna todos poderão erguer o prêmio da vitória: a coroa da vida eterna!

“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” 1 Coríntios 9:24-27. 

sábado, 8 de março de 2014

JESUS, DELÚBIO E JOSÉ(s)

Os nomes acima não são naturalmente associáveis na mente das pessoas. Um religioso convicto tem em mente que é mais associável os nomes: Jesus, Maria e José. O que pretendemos, entretanto, não é a clássica associação da família Nazarena. Dos nomes mencionados no título desta reflexão o único bíblico, essencialmente falando, é o de Jesus. E o que dizer de Delúbio? Certamente este não é um nome bíblico, e, no caso do Delúbio ao qual nos referimos nem mesmo é digno de figurar ao lado do nome do Filho de Deus. Que me perdoem os Delúbios que são pessoas íntegras. E José? De José a Joseph ou Joe, este é um nome comum em várias línguas. Nome pelo qual foram chamados grandes homens da história, tanto bíblica quanto secular.

Eu teria todos os motivos para gostar do nome José, nome de centenas de Josés que conheci nesses cinquenta e três anos de vida..., nome de um de meus irmãos, de meu sogro e de meu saudoso pai, homem íntegro e lutador que deixou a mim e a meus irmãos um exemplo de honra. Em seu túmulo, no Cemitério São Francisco, na cidade de Candeias, MG, nossa terra natal, encontra-se um epitáfio que foi composto por mim, a pedido de minha família: “O tempo não pode apagar, nem a vida fazer esquecer; sua voz nos ensinado a amar e seu exemplo nos ensinando a viver”.

Mas, eis que surgem outros Josés, não um genuíno, mas um Genoíno, que ao lado de outro José (Dirceu) e de Delúbio (Soares) me fazem reaprender a força de um ensinamento de Jesus. Antes que alguém me julgue louco quero explicar o porquê...

Segundo o relato de Mateus Jesus afirmou: “Peçam, e vocês receberão aquilo que pedirem. Procurem e vocês acharão. Batam, e a porta se abrirá”. Pois todo aquele que pede, recebe. Qualquer um que procura, acha. Se vocês apenas baterem, a porta se abrirá”. Mateus 7:7,8 A Bíblia Viva.

Durante a minha vida eu sempre tive dificuldade em pedir. Especialmente no que tange a pedir ajuda financeira ou material. E não se tratava de ter vergonha de pedir para mim, porque nunca gostei de pedir qualquer coisa mesmo para ajudar outras pessoas. Campanhas de alimentos, recolta ou o que fosse; eu tinha vergonha de pedir. Quando precisava fazê-lo era à custa de relutância. Mesmo com o claro ensino de Jesus eu ainda tinha dificuldades até que José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal a pagar multas pelos danos que eles causaram ao erário e ao povo brasileiro. Eles, diferentemente de mim, não tiveram vergonha e, de certo, modo colocaram em prática para fins de interesse pessoal o ensino de Jesus no texto citado acima. Eles pediram ao povo, através de uma campanha de arrecadação de fundos através da internet e, pasmem, arrecadaram juntos em algumas semanas aproximadamente dois milhões e seiscentos mil reais! De fato eles pediram e a eles foi dado...

E eu? Pastor de igrejas com desafios enormes, sem recursos financeiros para abrigar em um simples templo próprio a maioria dos irmãos de meu distrito, tendo que vê-los se apertarem em uma garagem que mal cabe um carro, como é o caso de Pratinha, MG onde mais de 25 pessoas congregam em um espaço de aproximadamente 20 metros quadrados. Eu TINHA vergonha de pedir... TINHA! 

Acordei para o fato de que represento o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e que preciso de recursos para fazer avançar a pregação do Evangelho. Tenho cidades em minha região precisando de que se lhes dê a mensagem da breve volta de Jesus e não posso me calar diante de tamanho desafio. Vejo pessoas escravizadas pelos vícios, infelizes e sem Deus na vida...

Dizem que as pessoas sempre nos ensinam algo, mesmo as ruins. Dizem até que de satanás podemos aprender que ele não desiste, mesmo tendo a causa perdida (Apocalipse 12:7-12).

Obrigado José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, porque aprendi com vocês que a gente não deve ter vergonha de pedir... ainda mais se o motivo for nobre, então, não há porque ter vergonha.

Se você leu este artigo, lembre-se que você pode colaborar com a Missão Global Araxá: Nossa Missão é pregar, a promessa de Deus é converter!


Não pense que apenas grandes valores são esperados. Na Missão global, cada real se transforma em mensagem de salvação!

Você pode entrar em contato comigo pelo e-mail: pastorcarlosmelo@gmail.com, Facebook: Carlos Melo de Castro, Twitter @pastormelo e pelos telefones: (34) 3661.8032 - 9112.8733 (TIM) e 9828.1668 (Vivo)
                            Irmãos de Pratinha, MG em frente à pequena garagem onde se reúnem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

KISS: O BEIJO DA MORTE.



François de La Rochefoucauld afirmou com propriedade que “todos temos força suficiente para aguentar os infortúnios dos outros.” Mas, apenas quando provarmos de algum modo o infortúnio, aprenderemos a valorizar a felicidade simples de cada dia? Apenas quando sentirmos o beijo da morte aprenderemos a valorizar a vida?

Quem não gosta de um beijo? Beijo na testa, no rosto, na mão ou na boca... Depende de quem o dá e de quem o recebe para determinar sua importância para nós. Todavia, com um beijo sela-se uma cerimônia matrimonial ou executa-se uma traição adúltera ou ainda uma traição de amizade como fez Judas com Jesus. Há beijos sinceros e falsos, dados ou vendidos, respeitosos e escandalosos... Há beijos de todas as espécies.

Assim como em português, a palavra inglesa Kiss significa beijo. Eu poderia ter boas lembranças desta palavra de origem anglo-saxônica, afinal, em minha infância ouvia-se sempre o Rei do Rock and Roll, Elvis Presley cantar “kiss me quick”. Poderia também pensar na marca de bala Kiss, de delicioso sabor refrescante, mas, como não aprecio o hard rockdesgostei-me desta palavra quando ela tornou-se o nome da banda americana Kiss formada em Nova York em 1973, conhecida mundialmente por suas maquiagens e por seus shows que incluem coisas exóticas como guitarras esfumaçantes, fogo, sangue, serpente mecânica e pirotecnias.  

Tenho cá meus motivos para não gostar do nome e acrescento agora mais um motivo para não ter boas lembranças de Kiss: a tragédia da boate na cidade gaúcha de Santa Maria com um saldo funesto de 237 mortos e centenas de pessoas traumatizadas pelo resto da vida.

Dizem que a iminência e proximidade da morte fazem que seus sobreviventes tomem atitudes diferentes daí em diante, alterando sua escala de valores, referentes a pessoas e coisas. Para muitos, parece ser necessário ser vitimados por algum mal para que aprendam a valorizar a saúde e a vida.

Nosso país parece estar a reboque dos acontecimentos para tomar atitudes. Quase sempre não há ação, mas, re-ação aos fatos e tragédias. Por algum tempo as autoridades ficarão alerta sobre as normas de segurança de locais públicos, mas, até quando? Parece que é necessário haver tragédia para haver cumprimento da lei. É necessário que morra alguém importante para que uma estrada seja corretamente sinalizada? É necessário ver o cólera, a dengue ou a gripe H1N1 dizimarem centenas de pessoas para que nos tornemos mais precavidos, mais conscientes de nossa responsabilidade coletiva?

Quando houve aquela tragédia em uma escola do Rio de Janeiro, o assunto foi pauta para se vender notícia por mais de uma semana. Autoridades e especialistas vieram a público falar das providências que deveriam ser tomadas... E foram? As casas que deveriam ser construídas para que as pessoas fossem retiradas das áreas de risco em Nova Friburgo foram construídas? Que nada!

Certamente que alguns discordarão veementemente de mim no todo ou em parte. Poderão até lembrar-me do famoso provérbio popular: antes tarde do que nunca... Eu posso afirmar que o tarde para aqueles mortos e suas famílias é nunca!

 A grande ironia é que a razão social da boate Kiss é: Santo Entretenimento Ltda. Este foi um maldito entretenimento escolhido por aquele grupo de pessoas naquela noite. Marcará para sempre a história da cidade de Santa Maria e de todas as famílias, amigos e colegas das vítimas. Mas há perguntas que precisam de respostas:

Ficamos chocados com a morte de 237 pessoas em uma tragédia? Todavia morrem nas estradas brasileiras, em média, 100 pessoas por dia! Estradas e pontes mal cuidadas, cheias de buracos, curvas escorregadias, asfalto de péssima qualidade, motoristas irresponsáveis que confiam na impunidade, motoristas de uma enorme frota de caminhões que vivem diuturnamente sobre o volante à base de rebites, trazendo atrás de si cargas acima do peso permitido, num círculo vicioso que mata e aleija vidas e sonhos.

E se falarmos das pessoas assassinadas, vitimadas pela violência familiar, pelo tráfico de drogas? E os que morrem por falta de atendimento médico de urgência em nossos hospitais? E os idosos e crianças maltratados por babás e cuidadores sem escrúpulos? E as pessoas mutiladas pelo exercício ilegal e irresponsável das clínicas de estética e abortos clandestinos?

Quando começamos a enumerar nossas tragédias de cada dia percebemos que pouco ou quase nada se tem feito para minimizar a miséria humana ao nosso redor.

C. S. Lewis nos lembra do quão importante é aprender lições das tragédias porque "fora de todos os eventos humanos, é só a tragédia que traz as pessoas para fora dos seus próprios desejos mesquinhos e na consciência de outros seres humanos".

“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia!” 2 Coríntios 1:3-4

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

QUEBRANDO O CÍRCULO


Era uma vez um casal que começou sua vida conjugal adotando um filho cujos pais haviam falecido. Este casal deu ao filho adotivo o nome de Janus e estavam felizes e cheios de esperança com o futuro dele, mas, dentro de algum tempo Janus faleceu. E isto aconteceu no exato dia em que aquele casal recebia nos braços seu filho Februus. A perda de Janus foi compensada em parte com a alegria que Februus trouxe ao casal.

Tristemente Februus também faleceu quando nascia o terceiro filho chamado de Marcius. E assim, a saga deste casal era sempre marcada pela chegada de um filho ao mesmo tempo em que falecia o outro. Marcius foi embora quando Aperina chegara. Aperina amava ver as flores se abrindo e era tão sonhadora quanto sua irmã May, que chegou quando esta dava seu último suspiro, o que também aconteceu com a tímida June, nascida em meio ao infortúnio da perda de May.

June faleceu quando seu irmão Julius deu seu primeiro choro e quando Julius faleceu depois das férias escolares do meio de ano, Augustus chegava com ar de menino sério. Ele foi diferente de seu irmão que nascera no dia de sua morte: Set. Este alegre menino gostava de flores e árvores coloridas, mas faleceu enquanto nascia seu irmão Octávius, observador e reservado como ele só. Depois nasceu Weber e, enquanto este falecia, nascia um menino de comportamento contraditório: às vezes ficava sério e preocupado e às vezes ria e se alegrava como se todas as tristezas se esvanecessem como mágica. Este era Décius que todos chamavam carinhosamente de Dedé.

Quando Décius morreu, sua mãe esperava outro bebê, mas a morte do 12º filho foi demais para aquele casal, que por sua vez sucumbiu diante da morte. O pequeno órfão foi imediatamente adotado por um casal amigo que, num gesto de carinho deu o nome ao pequeno de Janus. E a estória se repetiu e se repetiu exaustivamente ao longo da vida...

Esta estória é um retrato da realidade. De um ciclo que parece interminável...

A Bíblia relata no livro da gênese humana - Gênesis capítulo cinco - algo muito parecido. Desde Adão até Noé, a sequência inexorável da morte é algo triste de ser contemplado. Um após outro, os filhos de Deus vivem uma sequência com um fim mórbido: nascem, crescem, se casam, têm filhos e por fim morrem. 

Se lêssemos apressadamente Gênesis capítulo 5 e nada mais, não haveria motivo para alimentar qualquer esperança de um futuro diferente, que não passasse pela imutável sequência fatídica da vida e da morte. Mas há um fato que quebra este circulo vicioso da morte. No verso 23 lemos: “Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos”, e onde se esperava ler “e morreu”, como nos demais, lemos, todavia:” Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.” O ciclo vicioso da morte foi quebrado porque alguém andou com Deus todo o tempo e Deus o levou, não pela morte, mas o levou para continuar sua existência ao lado dEle.

Por tais coisas temos a esperança. E a Esperança é o combustível da vida. A Esperança é Jesus. O apóstolo Paulo fala do círculo virtuoso da esperança: "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Romanos 5:3-5.

Pelo poder do Espírito Santo precisamos fazer planos para que 2013 não seja mera repetição de 2012. Aqueles que não tem fé vivem na repetência de uma existência vazia, numa triste aplicação do que a Bíblia afirma: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.” Eclesiastes 1:9-10.

Segundo Lewis R. Walton, “tem-se dito que os que deixam de aprender da história estão fadados a repetir seus erros. Para os Adventistas do Sétimo Dia esta declaração é mais do que um clichê. É uma certeza”.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

QUANDO A RAZÃO PERDE A RAZÃO



Lembrando-me da série televisiva de ficção científica dos anos 60 (sei que muitos leitores nem haviam nascido ainda) Star Trek, conhecida no Brasil como Jornada nas Estrelas (a série original) vem à minha mente a figura exótica do meio-vulcano e meio-humano Spock interpretado por Leonard Nimoy.

Diante de algumas situações ou declarações nas quais estavam envolvidos os seres humanos da nave Enterprise, o primeiro oficial comandante Spock proferia algumas palavras, tais como: intrigante, fascinante e ilógico.

É intrigante e fascinante a capacidade humana de reagir diante do que acontece no mundo, no seu trabalho ou em sua casa. O ser humano, inquestionavelmente tem a capacidade de expressar seu contentamento ou desaprovação diante dos fatos e das palavras. Nesse quesito, nem todos somos capazes de agir ou reagir da forma adequada.

Um de meus professores de línguas bíblicas e língua portuguesa no Seminário de Teologia, o saudoso professor Pedro Apolinário, afirmava que, toleram-se os tropeços nas palavras, na linguagem coloquial do cotidiano, mas, jamais podem ser tolerados os tropeços de quem se dedica à arte de expressar-se através da linguagem escrita. Ele dizia: “o escrever torna (ou deve tornar) o homem preciso”.

Quando pessoas se apressam em emitir sua aprovação ou desaprovação, agrado ou desagrado diante dos fatos da vida, não se apercebem que podem até ser “precisas” em suas palavras, todavia, levianas quando os aspectos a serem considerados são as consequências de suas palavras.

Muitas vezes, um e-mail, carta ou outra forma de comunicação escrita (formal ou informal) pode causar uma repercussão desagradável e incontrolável. No passado, dizia-se que “as palavras são como um saco de penas lançadas do alto de uma montanha. Uma vez que alguém as lance, jamais conseguirá reuni-las, todas, outra vez”.

Neste mundo cibernético, podemos afirmar que um e-mail, mensagem ou post nas redes sociais, uma vez tendo sido apertada a tecla “enter” ou clicado “enviar” não pode mais ser controlado. Uma vez postado, ninguém tem mais controle sobre o que se postou. “Caiu na rede é peixe”, deu lugar a “caiu na rede é perigo”.

Alguém que, dentro dos seus direitos e sua privacidade, abre mão de coisas tão preciosas pelo simples impulso de “postar” palavras sem pensar, certamente poderia ouvir o veredito do inesquecível personagem de Nimoy: ilógico, uma das palavras prediletas de Spock. E assim a razão perde a razão!

Como afirmou Diogo Bercito, “a internet e os elefantes têm algo em comum: eles nunca esquecem!”.

"A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto." Pv 18:21